Um tour pelo aparelho digestivo

O intestino é dito por muitos como nosso segundo cérebro, também referem que somos o que comemos e há aqueles que apostam na cura pela boca. Antes de chegar nessas conclusões, apresento resenha de um dos capítulos do livro A Bíblia do Intestino, de mesmo título acima, da autora Dra. Karina Bianca Sinforoso. Ela fez uma narrativa bem didática, percorrendo o trato digestivo, qual fiz e exponho minhas sucintas reflexões.

Durante a noite a produção de saliva diminui, indício para apresentarmos mau hálito quando acordamos. O movimento da boca é responsável não somente por triturar o alimento, há muitas outras funções, como quando as glândulas parótidas comunicam por hormônio com o Timo para ativar a produção de linfócitos, garantindo a defesa sobre algum possível invasor. Quando bem dissolvido na boca, o alimento pode percorrer o esôfago com facilidade.

Permanecendo de duas a quatro horas no estômago, é o tempo para que o ácido clorídrico faça o seu trabalho sobre o alimento. Em condições normais, um muco é produzido nas células que revestem a parede do estômago, fazendo assim a proteção do órgão contra a corrosão da acidez. Esse período de “descanso” pode ser precipitado, como por exemplo pelo estresse, no entanto é básico para digestão das proteínas e combate a bactérias maléficas ao nosso organismo. Com a idade pode ocorrer a Hipocloridria, que é a insuficiência da produção do ácido estomacal. A Helicobacter pylori, bactéria muito comum no estômago, é capaz de resistir a acidez e impedir a formação do muco.

As vilosidades, portadoras de microvilosidades, estão presentes no intestino delgado e são responsáveis pela absorção da maioria dos nutrientes. Essa porção do intestino é dividida em três seções. O Duodeno, pela proximidade com o estômago, é tão ácido quanto, mas recebe as secreções pancreáticas e biliares dos respectivos órgãos para modificar as características do “bolo” alimentar, fazendo com que o Jejuno seja capaz de digerir a maioria dos nutrientes. A terceira seção é o Íleo, região povoada pela Flora intestinal.

As secreções pancreáticas tem como composição o bicarbonato, o objetivo é neutralizar a acidez e proteger a parede do intestino. Além do bicarbonato, o Pâncreas também produz enzimas capazes de “quebrar” macronutrientes. Caso o intestino esteja agredido, uma quantidade excessiva de muco pode ser produzida como forma de proteção, no entanto prejudica a absorção dos nutrientes, principalmente de carboidratos. Por sua vez, o fígado produz a Bile, é uma substância que acaba por dar a cor característica das fezes, mas o objetivo é emulsificar a gordura, auxiliando a digestão.

O que o corpo não capturou para o sistema sanguíneo no intestino delgado é finalmente conduzido pelo intestino grosso, sendo ideal que ali só chegue água, bile, fibras alimentares e bactérias. É o momento da formação do bolo fecal, para o descarte do corpo através do orifício anal. Enquanto essa necessária expulsão não ocorrer, esse percurso é fonte para absorção da água solicitada pelos órgãos do indivíduo.

Quanto menor o tempo as fezes transitarem do intestino grosso para fora do corpo, mais provável é a possibilidade de diarreia, já que a água presente ali não terá tempo de ser absorvida. O mesmo vale para a absorção dos nutrientes no intestino delgado. O contrário, teremos a constipação, ou seja, as fezes permanecem por mais tempo no cólon que o ideal. A constipação possibilita o adoecimento do indivíduo, pois haverá um maior apodrecimento daqueles dejetos, ali parados, sendo condição para absorção indesejada de algumas substâncias. Um período saudável para o trânsito pelo trato digestivo, desde a boca até o anus, é de 12 a 24 horas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *