Políticas de saúde no Brasil: um século de luta pelo Direito à Saúde

Trata-se de resenha do documentário Políticas de saúde no Brasil: um século de luta pelo Direito à Saúde. É uma visão singular, ou seja, nitidamente o filme flerta com a militância de esquerda da organização política brasileira.

Partindo então dessa ótica, exibe pontos históricos desde o início do século XX (de 1900 em diante). Como não tenho o conhecimento do contraponto dos fatos, venho a concordar com a história narrada.

Exibe que nos primeiros anos da república a Assistência de Saúde da população era precária. O acesso se dava por meio das escassas organizações filantrópicas, quase sempre ligado a igreja católica.

Com o desaparecimento do poder monárquico, o país logo começou a desenvolver o setor industrial e comercial, se rendendo ao capitalismo. Com isso a mão de obra ganhou outra importância do que aos tempos da escravidão.

Os governos, nas décadas iniciais do século XX, começaram a implementar políticas de impostos voltadas para o investimento na saúde dos trabalhadores. Logo foram criados hospitais e concedidos direitos a estes que acessassem serviços de saúde e aposentaria.

Muitos desafios foram criados e a máquina pública aos poucos foi se envolvendo no desvio de finalidade. Em meados da metade do século passado, o dinheiro que deveria ser direcionado para servir os trabalhadores foram reinvestidos na indústria, prejudicando o desenvolvimento dos serviços de saúde.

Nesse ponto histórico já existiam grandes hospitais públicos servindo aos trabalhadores. No entanto, no documentário não consta a existência ainda de serviços de saúde aos moldes e semelhanças com as Unidades Básicas de Saúde que hoje conhecemos.

Mergulhado no capitalismo, mediante escambo político para satisfazer os interesses das elites políticas, já em 1970 é apontado o interesse de passar os hospitais para a administração privada. De modo que o dinheiro do trabalhador mais uma vez iria servir para enriquecer pessoas “selecionadas”.

A insatisfação era grande entre aqueles que não eram trabalhadores e movimentos sociais fomentavam as melhorias ao ponto que organizavam conferências, sendo que a 8ª Conferência de Saúde culminou com grandes avanços. Nessa época houve a criação dos serviços de saúde de amplo alcance, com a criação do que hoje conhecemos como UBS.

O serviço de saúde, já na década de 1980, se apresentava sucateado. Mais uma vez pudemos presenciar que interesses capitalistas de uns queriam manipular a massa para o próprio benefício. Esses falavam naqueles anos ser vantajoso, futurista e abrangente a saúde privada, é o que conhecemos hoje como Planos de Saúde. Serve alguns com muitos privilégios, outros nem tanto.

Fruto de todas essas lutas entre necessitados e abastados no poder, a criação do SUS foi uma conquista feita muito lentamente, por décadas, parece ter acontecido por um milagre. A criação do Sistema Único de Saúde ocorreu justamente após o fim da Ditadura Militar, com a nova Constituição Federal de 1988, mas está ainda em pleno desenvolvimento.

Existe um SUS que dá certo e outro que está longe disso. Por fim, venho a concordar que é uma grande vitória ter o SUS, basta ler livros da história do nosso povo e dos demais que estão nesse mundo. Apesar de tudo é um modelo exemplar, referência para outros países.

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